Dona Fifi aos 19 anos.

Apostilas eletrônicas de Dona Fifi
DUAS GRANDES FÍSICAS:
MARIA CURIE e LISE MEITNER



Maria Curie e a radioatividade natural.

O físico francês Henri Becquerel descobriu, acidentalmente, em 1896, que o minério uranita (sulfato de urânio e potássio) emitia algum tipo de radiação. Colocando perto do minério uma placa fotográfica, o filme era queimado, mesmo no escuro. Esse fenômeno ficou conhecido como "radioatividade" e, tão logo foi descoberto, passou a ser objeto de estudo de muitos físicos e químicos.


Henri Becquerel
Um deles, ou melhor, uma delas, foi uma jovem polonesa chamada Maria Sklodowska, casada com o físico francês Pierre Curie. Todo mundo achava que o urânio era o responsável pela radiotividade da uranita. Afinal, tanto o potássio quanto o enxôfre já tinham sido exaustivamente estudados e nada tinham de especial. Por essa razão, Maria Curie passou a purificar o minério para separar o urânio do resto. E foi aí que descobriu algo inesperado: o urânio purificado era muito menos radioativo que o resto que sobrava. A radioatividade, ao que parecia, devia vir de algo que fazia parte do minério, além do urânio, do potássio e do enxôfre. Devia ser uma impureza, presente em pequena quantidade nas amostras.
Maria Sklodowska Curie
Se a fonte da radioatividade era uma impureza, tornava-se necessário conseguir uma grande quantidade do minério para tentar separá-la do resto. Esse minério uranita era retirado de minas austríacas da região da Boêmia. A uranita era separada para uso na indústria de vidros e o que sobrava, o resíduo, era jogado no lixo. Que sorte: era justamente esse resíduo que interessava a Maria Curie. O governo austríaco concordou em fornecer uma tonelada desse material ao casal Curie que, tão logo o recebeu, deu início à penosa tarefa de separar a impureza. Como não sabia que impureza era essa, o programa consistia em separar quimicamente os elementos conhecidos e monitorar a radioatividade de cada componente. Depois de muito suor, Maria Curie viu que tinha isolado um material extramente radioativo com propriedade químicas próprias, diferentes daquelas dos demais compostos. A esse novo material ela deu o nome de polônio, em homenagem a seu país natal.

Com mais trabalho ainda, separou um novo elemento, ainda mais radioativo que o polônio, e milhões de vezes mais radioativo que o urânio, a que chamou, dessa vez pouco inspiradamente, de rádio.

Tudo isso aconteceu em uma época em que o átomo era motivo de disputa. Alguns não acreditavam nem que ele existisse, outros achavam que era uma partícula indivisível. Com suas descobertas, Maria e Pierre Curie demonstravam que o átomo era muito mais complexo do que se imaginava até então. Essas pesquisas lhe deram o Prêmio Nobel de Química de 1903 e transformou a polonesa em uma celebridade mundial. Sobre isso, falarei na próxima apostila.


Apostila 3: Maria e Pierre Curie.

Apostila 4: Os isótopos e a estabilidade do núcleo.

Apostila 5: A radioatividade e o decaimento do núcleo.

Apostila 6: Uma tarde no laboratório de Lise Meitner e Otto Hahn.

Apostila 7: Bombardeando núcleos com neutrons.

Apostila 8: Lise Meitne, a fissão nuclear e o prêmio Nobel.