Dona Fifi aos 19 anos.

Apostilas eletrônicas de Dona Fifi
DATAÇÃO ISOTÓPICA
Como ler os relógios nucleares



Qual é mesmo a idade da Terra?


Lord Kelvin, um dos maiores sábios do século 19, era um craque em termodinâmica, ciência que ele ajudou a criar. Um dia ele resolveu usar seus conhecimentos da ciência do calor para calcular a idade do planeta Terra. Supôs que a Terra, ao se formar, era uma enorme rocha incandescente e calculou quanto tempo levaria para que ela esfriasse e se solidificasse, emitindo calor para o espaço. Foi um cálculo relativamente fácil e ele obteve um valor em torno de 100.000 anos.

Lord Kelvin
Isso desagradou os geólogos que estimavam a idade da Terra observando as camadas da crosta e obtinham valores bem maiores que esse. Também os biólogos, adeptos da ainda muito controvertida teoria da evolução de Charles Darwin, preferiam acreditar em um número mais dilatado, que permitisse o desenvolvimento das espécies que populam o planeta.

Kelvin, na verdade, estava quadradamente enganado. Mas, não tinha culpa pois seu cálculo estava errado por não levar em conta uma coisa que ninguém ainda conhecia naquele tempo: a radioatividade. Quando os físicos começaram a estudar e entender esse novo fenômeno, constataram que ele deveria contribuir com uma enorme quantidade de calor e esse calor não tinha sido levado em conta por Kelvin. Como esse novo ajuste, calcularam de novo a idade da Terra e concluiram que ela deveria ter pelo menos 1,5 bilhão de anos.

Os processos que descrevi na apostila anterior permitem calcular a idade das rochas, que é o tempo decorrido desde que elas se solificaram pela última vez. Portanto, depois que a Terra esfriou, transcorreu um tempo igual a, no mínimo, a idade da rocha mais velha que existe. Isto é, a idade da Terra deve ser obtida somando o tempo de esfriamento (1,5 bilhão de anos) com a idade da rocha mais velha que se encontre.

As rochas mais antigas encontradas na Terra, que são granitos da Africa do Sul, foram datadas em cerca de 3,8 bilhões de anos. Portanto, a Terra deve ter, no mímino, uns 4,3 bilhões de anos.

Um teste independente consiste em medir a idade dos meteoritos. Como vimos, esses meteoritos são pedras de tamanhos variados que vagam pelo espaço entre os planetas do sistema solar. A figura ao lado mostra um deles. É quase impossível, para um leigo, distinguir um meteorito como esse de uma vulgar pedra de calçamento, mas, um bom geólogo reconhece com certa facilidade. Os meteoritos se formaram ao mesmo tempo que a Terra. Mas, como são pequenos, resfriaram rapidamente. Sua idade, medida por um método usual de datação isotópica, deve ser igual a idade da Terra. Usando datações de urânio-238 e rubídio-87, os cientistas acharam tempos da ordem de 4,6 bilhões de anos. Essa deve ser, portanto, a idade da Terra.
Um meteorito típico.
Mais um teste bem interessante consistiu na medida da idade de pedras trazidas da Lua pelos astronautas. Ninguém ficou muito surpreso quando as datações dessas rochas indicaram valores em torno de 4,6 bilhões de anos.

Apostila 7: Uma visita a um laboratório de carbono-14.

Apostila 8: Quando foi que a mulher chegou ao Piauí?