Dona Fifi aos 19 anos.

Apostilas eletrônicas de Dona Fifi
AS MITOCÔNDRIAS

Lynn Margulis: uma provocadora inquieta.

A microbiologista americana Lynn Margulis publicou sua hipótese da endossimbiose em 1966. Segundo contou, seu artigo foi rejeitado por umas 15 revistas, antes de ser finalmente aceito. Na época, ela era casada com o famoso astrônomo Carl Sagan e assinou seu artigo como Lynn Sagan. A hipótese da endossimbiose, apresentada nesse artigo, foi duramente criticada pela comunidade de biólogos que parece ser mais reacionária e conservadora que os velhinhos da Fifa. Lembre que a quimiosmose, mecanismo da cadeia respiratória descrito por Peter Mitchell, também demorou um tempão para ser "digerido" pelos biólogos até que foi aceita a contragosto e deu a Mitchell seu Nobel. Mas, Peter Mitchell era homem, Lynn Margulis é mulher.

As idéias de Margulis eram tão diferentes das convencionais que, mesmo depois de publicadas, nem sequer eram mencionadas nas reuniões dos biólogos respeitáveis. No início, só ela e uns poucos formavam a frente de defesa dessas idéias. Aparentemente, a personalidade da cientista não ajudava muito, pois ela não é nada tímida nem submissa. Com o tempo e com o constante acúmulo de evidências que indicavam a validade da endossimbiose, mesmo os mais ferrenhos neo-darwinistas tiveram de se render.

Lynn Margulis não é, realmente, uma pessoa fácil. Talvez se ficasse quieta, aproveitando os louros de sua vitória com a teoria da endossimbiose, fosse mais popular. Mas, que nada. Como ela mesmo diz, não gosta muito de morar em livros-texto. Sua associação com James Lovelock em torno da hipótese de Gaia não melhorou em nada sua imagem entre os biólogos ortodoxos. Essa tal hipótese de Gaia caiu no gosto dos ecomísticos e ativistas do New Age e é considerada suspeita pelos ortodoxos. Lynn Margulis, entretanto, sempre se manifestou contrária a qualquer tipo de misticismo.

Atualmente, ela trabalha com outro tema controverso: quer provar que os órgãos que possibilitam a movimentação de uma célula eucariótica também tiveram origem bacteriana e simbiótica. Acha que vieram das espiroquetas e teriam originado os microtubos que fazem parte do citoesqueleto e participam da divisão celular. Mas, a teimosa cientista não fica por aí.


Lynn Margullis
Para ela, os axons e dentritas das estruturas nervosas já foram parte de espiroquetas livres. Como diz: "pense no nervo como vindo de algo que já foi uma bactéria, tentando mover-se e girar, sem conseguir. O pensamento envolve movimento e comunicação. Só peço que se compare a consciência humana com a ecologia dos espiroquetas".

Pode ser que essas especulações estejam completamente furadas mas o passado da garota aconselha a se ter cuidado e investigar direitinho se o que ela diz está mesmo no rumo certo ou não. Vamos ficar atentos e acompanhar o que se publica sobre essas coisas. Até outra vez.


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