Dona Fifi aos 19 anos.

Apostilas eletrônicas de Dona Fifi
MULHERES


Em 100 anos de Nobel, quantas mulheres ganharam o prêmio de Física? Apenas duas: Maria Sklodowska Curie e Maria Goeppert Mayer. Alguém pode dizer que isso reflete o pequeno número de mulheres na comunidade de físicos. É verdade. Basta olhar as fotos das conferências de Solvay e contar quantas mulheres aparecem.


Congressos de Física costumam ter centenas de homens e meia dúzia de mulheres. E essas, via de regra, são descaradamente ignoradas pelos colegas, a menos que sejam físicas com belos físicos. E, como se não bastasse essa desvantagem numérica, o comitê do prêmio Nobel ainda consegue piorar o quadro mostrando, aqui e ali, sua face chauvinista.
Pelo menos em três casos, a injustiça cometida pelo comitê com brilhantes cientistas do melhor sexo foi gritante. A história de uma delas já contei por aqui. Logo após a segunda guerra, o prêmio pela descoberta da fissão nuclear foi dado a Otto Hahn, preterindo Lise Meitner que trabalhara com Hahn mas fora obrigada a deixar a Alemanha nazista por ser judia.
(NOTA DO EDITOR: Veja a apostila de D. Fifi sobre A FISSÃO NUCLEAR.)


Lise Meitner.
Outra que mereceu e foi garfada pelo comitê foi a chinesa Chien-Shiung Wu, que trabalhava nos Estados Unidos quando mostrou, experimentalmente, que a paridade podia ser quebrada em fenômenos envolvendo a interação fraca. Esse importante fato tinha sido previsto, teoricamente, por outros dois chineses, Yang e Lee, também residentes nos Estados Unidos.
(NOTA DO EDITOR: Veja a seção especial sobre sobre SIMETRIA.)


Chien-Shiung Wu.
Uma teoria física só tem valor quando comprovada pela experiência, embora alguns teóricos afirmem que é justamente o contrário. Foi a comprovação experimental de Wu que deu credibilidade à ousada previsão dos dois chineses. Mas, foram só eles que ganharam o Nobel.

O terceiro caso dessa lista ocorreu com a inglesa Jocelyn Bell. Nos anos 60, essa moça era estudante em Cambridge, Inglaterra, trabalhando em rádio-telescópios sob a orientação de Antony Hewish. O trabalho que Hewish deu a Jocelyn Bell consistia em estudar as ondas de rádio provenientes do Sol e sua influência na observação de outras estrelas.
Jocelyn Bell.
Certo dia, enquanto analisava uma quantidade enorme de dados e gráficos produzidos pelo telescópio, Jocelyn notou algo estranho: uma pequena sucessão de sinais periódicos, ou pulsos, separados entre si por cerca de 1,5 minutos. Sinais com esse tipo de periodicidade costumam ser considerados como ruído proveniente de algum artefato humano. Hewish, ao receber o relato de Bell sobre esses sinais, achou que não valia a pena perder tempo com eles. Mas, Bell argumentou que o aparecimento dos pulsos coincidia com o "tempo sideral", um intervalo característico do movimento diurno das estrelas.

Com essa evidência, surgiu até a suspeita de que os sinais pudessem ser provenientes de alguma civilização extra-terrestre. O pessoal do observatório, meio de troça e meio de esperança, passou a chamar a fonte desses sinais de LGM, ou "little green men". Foi quando Bell descobriu outra fonte de pulsos, vindos de outra parte do céu, com um período um pouco menor, de 1,2 minutos. Duas civilizações de ETs mandando sinais para a Terra já era difícil de acreditar. Ficou então claro que os sinais vinham de estrelas. Um estudo mais aprofundado mostrou que as fontes eram estrelas de neutron em rápida rotação. Esse tipo de objeto passou a ser conhecido como "pulsar" e revelou-se muito importante para estudar alguns fatos cosmológicos.

Hewish ganhou o prêmio Nobel de Física de 1974 por essa descoberta. Jocelyn Bell ficou para trás. Alguns poucos astrofísicos protestaram pela exclusão da jovem cientista entre os premiados. Fred Hoyle, de quem falaremos mais adiante, considerou o fato como escandaloso.

Essa história de dar o prêmio para o chefe da equipe e preterir o estudante é desestimulante, além de injusta. No caso de Jocelyn Bell, deve-se levar em conta que a tarefa que ela recebera de Hewish nada tinha a ver com os pulsares que ela descobriu. Hewish nem acreditou nas observações da moça, inicialmente, e só se convenceu quando ela descobriu uma segunda fonte de pulsos. Tudo bem, Hewish era o dono do telescópio e orientador da moça, mas bem que o comitê deveria ter premiado os dois.

Jocelyn Bell, boa menina, diz que não guarda nenhuma amargura por não ter ganho o prêmio. Estou em boa companhia, diz ela. Tem razão, como veremos em outros exemplos que relatarei adiante.


3 - BARDEEN - Foi o único a ganhar dois prêmios de Física. Assim mesmo, pisou na bola em uma polêmica com Josephson.

4 - JOSEPHSON - Ganhou a briga com Bardeen, o prêmio Nobel aos 33 anos e depois pirou de vez.

5 - SHOCKLEY - Inventou o transistor e a disgenia. Seu esperma deve estar mofando em alguma geladeira americana.

6 - LATTES - Um brasileiro que poderia ter sido e que não foi. O que será que Bohr achou disso?

7 - HOYLE - Não ganhou por não ser convencional e certinho. Do mesmo modo que Borges.