SEARA DA CIÊNCIA
CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Bassalo


Einstein e a Patrulha Ideológica.

Um dos maiores cientistas do século 20, o físico germano-suíço-norte-americano Albert Einstein [1879-1955; Prêmio Nobel de Física (PNF), 1921], era uma pessoa ímpar. O famoso astrônomo norte-americano Carl Sagan (1936-1996), que ficou célebre no mundo por sua série de televisão Cosmos, contou-nos em seu livro O Romance da Ciência (Francisco Alves Editora, S. A., 1982), algumas singularidades da vida do criador da Teoria da Relatividade: Restrita e Geral. Devido à perseguição aos judeus, impetrada por Adolf Hitler (1889-1945) e seus seguidores, Einstein teve sua cabeça a prêmio de 20.000 marcos colocada pelos nazistas e, instalou-se, então, nos Estados Unidos da América e foi nomeado, em 1933, para o recém criado Instituto de Estudos Avançados, em Princeton, New Jersey. Quando lhe perguntaram qual seria o salário junto que deveria receber, sugeriu 3.000 dólares anuais. Ao notar a perplexidade estampada no rosto dos representantes desse Instituto, Einstein, meio constrangido, indicou uma quantia menor. No entanto, seu salário foi fixado em 16.000 dólares anuais, um dos maiores salários já pagos a qualquer professor nos Estados Unidos. De outra feita, por ocasião de sua primeira visita à América, em 1930, o Cardeal O´Connell, de Boston, preveniu-o de que a Teoria da Relatividade "ocultava a repugnante aparência de ateísmo". Quando um rabino de New York, lhe telegrafou perguntando: "O senhor acredita em DEUS?", recebeu dele a seguinte resposta: "Acredito no DEUS de Spinoza, que se revela na harmonia de todos os seres, não no DEUS que se interessa pela sorte e ação dos homens". Einstein achava que o homem se dignificava se exercesse uma profissão simples e honrada, como por exemplo, dizia ele, a de um encanador, profissão que gostaria de exercer ao invés de professor de Física. Logo depois dessa afirmação, foi agraciado com o título de Sócio Honorário do Sindicato dos Encanadores dos Estados Unidos. Einstein sempre foi perseguido, quer pela esquerda (apesar de se dizer socialista), quer pela direita. Os nazistas, além de perseguí-lo, queimaram seus trabalhos científicos. Os intelectuais stalinistas denunciaram sua Teoria da Relatividade como produto de uma "Física Burguesa". Nos Estados Unidos, em 1945, o deputado federal pelo Mississipi, John Rankin, chamou Einstein de comunista porque ele havia pedido que os Estados Unidos rompesse relações com a Espanha Franquista, a qual havia apoiado os nazistas na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Finalmente, para encerrar a narração desses pequenos fatos que caracterizam a vida de Einstein como "cidadão do mundo", é interessante registrar que ele recusou a Presidência do Estado de Israel, por ocasião da morte de Chaim Weizmann, em 1952. Segundo nos conta o historiador da ciência, o brasileiro Alfredo Tiomno Tolmasquim (n. 1960) (Einstein, o viajante da relatividade na América do Sul, Vieira&Lent, 2003), Einstein declinou desse honroso convite, afirmando que se veria na difícil situação de ter de optar entre suas próprias idéias e aquelas que deveriam ser defendidas por um presidente de Estado.