SEARA DA CIÊNCIA
CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Bassalo



Glashow e os Alucinógenos.

No livro que o físico norte-americano Sheldon Lee Glashow (n.1932; PNF, 1979) escreveu em parceria com o jornalista e escritor norte-americano Ben(jamin William) Bova (n.1932), intitulado Interactions: A Journey Through the Mind of a Particle Physicist and the Matter of This World (Warner Books, 1989), há relatos sobre o uso que Glashow fez de alucinógenos, no começo da década de 1960. Um deles aconteceu em uma Escola de Verão ocorrida em Istambul, em 1962, organizada pelo físico turco Feza Gürsey (1921-1992). Segundo Glashow, naquela Escola, ele pronunciou uma das melhores palestras em sua vida, depois de uma noite inteira fumando haxixe. De outra feita, na casa do físico norte-americano Sidney Richard Coleman (n.1937), em Lancaster Street, em Cambridge, depois de fumarem maconha, Glashow e Coleman escreveram um trabalho no qual procuravam obter uma teoria geral descrevendo todas as espécies de quebra de simetria. Esse trabalho, intitulado Departures from Eightfold Way – Theory of Strong Interaction Symmetry Breakdown, foi publicado na Physical Review 134, p. B671, em 1964.
No entanto, segundo Glashow, a idéia apresentada por eles naquele artigo, embora interessante e talvez útil, estava errada conforme mostrou o Modelo dos Quarks (vide verbete nesta série) desenvolvido, independentemente e ainda em 1964, pelos físicos, o norte-americano Murray Gell-Mann (n.1929; PNF, 1979) (Physics Letters 8, p. 214) e o russo-norte-americano George Zweig (n.1937) (CERN Preprint 8182/Th 401; 8419/Th 412). Em virtude desse “fracasso”, no livro referido acima, Glashow escreve: Embora eu confesse que fui um ocasional usuário de haxixe e maconha no começo da década de 1960, eu não recomendo essas drogas como um segredo para o sucesso em física. Vinhos e conhaques finos são, contudo, outra história.