SEARA DA CIÊNCIA
CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Bassalo



As Irreverências de Galileu.

Quando eu era aluno do então primeiro ano do Curso Científico do Colégio Estadual “Paes de Carvalho” (o lendário CEPC), em Belém do Pará, no ano de 1951, meu professor de Física, o agrônomo brasileiro José Maria Hesketh Condurú (1900-1974), gostava de inserir fatos curiosos sobre os físicos e a História da Física [fatos esses mais tarde traduzidos em artigos que escreveu nos jornais de Belém e reunidos em livros que publicou, como por exemplo: A Energia Nuclear Construiu as Pirâmides do Egito (Imprensa Universitária do Pará, 1966)], sempre que falava sobre alguma lei física. Um certo dia, quando ele falava sobre a lei do pêndulo (“o isocronismo do pêndulo, ou seja, ele leva o mesmo tempo para ir e voltar em sua oscilação qualquer que seja o seu comprimento”) descoberta pelo físico e astrônomo italiano Galileu Galilei (1564-1642), por volta de 1581 ou 1583, ao observar as oscilações do candelabro pendurado no teto do batistério do Duomo de Pisa (vide verbete nesta série), ele parou e contou a seguinte história, reproduzida por ele no livro citado acima e registrada a seguir com algumas inclusões minhas.
Por insistência de seu pai, Vicenzio Galilei (1520-1591), que era um conhecido músico alaudista, matriculou-o, aos 16 anos de idade, no outono de 1580, na Universidade de Pisa, para estudar Medicina. Contudo, depois de se formar, essa Universidade recusou a conceder-lhe o grau de médico. Mais tarde, quando tinha 25 anos de idade, voltou a essa mesma Universidade, agora como professor de Matemática. Um dos primeiros trabalhos dele foi uma verdadeira sátira em prosa, a ridicularizar o uso da borla, do capelo e das vestes talares, que deveriam ser envergadas, quer dentro da Universidade, quer nas ruas. O “velho Condurú”, como carinhosamente seus alunos o chamavam (embora tivesse apenas 51 anos de idade, naquela ocasião), concluía a história dizendo que a irreverência de Galileu se estendia à própria língua oficial Universitária usada na época, o latim, já que ministrava suas aulas em italiano, bem como, muito mais tarde, escreveu, também em italiano, seus dois principais livros: Dialogo supra i due Massimi Sistemi Del Mondo Tolemaico e Copernicano [“Diálogo sobre os Dois Máximos Sistemas do Mundo Ptolomaico e Copernicano” (Discurso Editorial/FAPESP, 2001)], publicado em 1632, e Discorsi e Dimostrazione Mathematiche intorno a Due Nuove Scienze Attenenti alla Mechanica ed i Movimento Locali [“Discursos e Demonstrações Matemáticas em torno de Duas Novas Ciências Atinentes à Mecânica e aos Movimentos Locais” (Ched Editorial e Nova Stella Editorial, 1985), de 1638.