SEARA DA CIÊNCIA
CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Bassalo


Aristóteles, Alexandre, Sagan, a Terra como “Um Pálido Ponto Azul” e os Extraterrestres.

 

O físico, astrônomo e escritor norte-americano Carl Edward Sagan (1934-1996) participou, em 1985, das famosas Palestras Gifford, na Universidade de Glasgow. Sua viúva, a escritora norte-americana Ann Druyan (n.1949), reuniu as palestras que ele proferiu, nessa ocasião, e as editou no livro intitulado Variedades da Experiência Científica: Uma Visão Pessoal da Busca por Deus (Companhia das Letras, 2008). Pois bem, nessas palestras, basicamente, Sagan mostra a insignificância do ser humano terrestre em face de alguma situação em que essa insignificância se manifeste. Neste verbete, vou destacar dois aspectos dessa insignificância. Citando o astrônomo e matemático inglês Thomas Wright (1711-1786), Sagan descreve o diálogo entre o filósofo grego Aristóteles de Estagira (384-322) e o Rei Alexandre da Macedônia (356-323), de quem Aristóteles foi preceptor, dos 13 aos 16 anos de idade do Príncipe macedônio. O diálogo foi o seguinte. Certa vez, Alexandre estava olhando para um mapa do mundo e perguntou para Aristóteles onde se localizava a cidade da Macedônia. Contam que o “estagirita” teria respondido que o lugar que sua realeza buscava era pequeno demais para ser percebido no mapa, e que não havia sido omitido por bons motivos. 

                   A segunda insignificância do homem terráqueo foi também destacada por Sagan, conforme registrou sua mulher no prefácio do livro referido acima. Segundo Ann Druyan, seu marido fez anos de “lobby” na National Aeronautics and Space Administration (NASA) para que, durante a viagem da Voyager 2 em direção aos últimos planetas do sistema solar, essa nave espacial “olhasse” para o nosso planeta. Esse “olhar” aconteceu quando, em agosto de 1989, essa sonda passou pela órbita de Netuno. Observando essa fotografia, Sagan fez sua famosa afirmação: A Terra é apenas “um pálido ponto azul” flutuando na imensidão do Universo. Aliás, anos mais tarde, ele aproveitou essa frase para usá-la no título do livro que escreveu: Pálido Ponto Azul: Uma Visão do Futuro da Humanidade no Espaço (Companhia das Letras, 1996).     

                   Depois que li este livro, fiquei convencido de que é muito improvável que extraterrestres tenham visitado nosso planeta, conforme descreveu o escritor suíço Erich von Däniken (n.1935) em seu também famoso livro: Eram os Deuses Astronautas? (Edições Melhoramentos, 1971). Meu argumento é o seguinte. Nenhum planeta do sistema solar, pelo que se saiba, é habitado por seres como nós. Assim, o extraterrestre teria de vir de regiões mais longe de nosso sistema solar. Ora, se de Netuno a Terra parece “um pálido ponto azul”, imagine de pontos mais distantes. Desse modo, para que “eles” pudessem chegar até ao nosso planeta, deveriam possuir uma Ciência e, conseqüentemente, uma Tecnologia, altamente avançadas. Com isso, certamente, não precisariam se comunicar conosco quase sempre de maneira não muito convincente, pelo menos para mim. Eu, no entanto, acredito que existam extraterrestres, como o próprio Sagan acreditava. Porém, será que não existem outras “terras mais interessantes” para que eles possam visitar em suas proximidades? Registre-se que no referido livro póstumo de Sagan, ele discute a existência de civilizações extraterrestres usando a célebre equação proposta, em 1961, pelo astrônomo e astrofísico norte-americano Frank Donald Drake (n.1930), pela qual se calcula o número (N) de civilizações tecnologicamente avançadas no Universo e capaz de se comunicarem com a nossa civilização. Registre-se, também, que Sagan acreditava na possibilidade de extraterrestres visitarem a Terra, tanto que escreveu o romance intitulado Contact (Simon and Schuster, 1985; Gradiva, 1997), que foi, inclusive, transformado em filme, de mesmo nome, em 1997, dirigido pelo cineasta norte-americano Robert Zemeckis (n.1952), com a atriz norte-americana Jodie Foster (n.1962) no papel da astrônoma Ellie Arroway.