SEARA DA CIÊNCIA
CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Bassalo


Máquina de Tecer (Tear).

 

O processo de confeccionar “fios” é bem antigo, provavelmente realizado por mulheres, cerca de 6.500 a. C. Eles eram puxados, individualmente, de um novelo de lã colocado em uma vareta bifurcada chamada de roca de fiar e retorcido em uma outra vareta chamada fuso. O fio criado por esse processo era então transformado em tecido em um tear. Com o decorrer dos anos, vieram os aperfeiçoamentos. Por exemplo, um deles consistia no encaixe do fuso de modo que ele se movimentasse em um mancal, movido por um cordão preso a uma roda girada à mão – a famosa roda de fiar. No início do Século 16, foi introduzido um pedal para substituir as mãos, na Saxônia, que, em vista disso, recebeu o nome de roda saxã. Uma grande inovação no tear aconteceu em 1733, quando o engenheiro inglês John Kay [1704-1764(?)] inventou a lançadeira volante (“flying shuttle”), que permitiu a urdidura fazendo com que o tear (“fiandeira”) mantivesse dois conjuntos de fios (algodão, lã, linho, cânhamo) de linhas esticadas. Aliás, é oportuno destacar que essa invenção de Kay provocou a ira dos tecelões que invadiram a casa dele para destruir seu invento [Edward de Bono (Editor), Uma História das Invenções: Desde a Roda até o Computador (Editorial Labor do Brasil S.A. (1975)].

                   Como a invenção de Kay não permitia fiar vários fios de uma só vez, a Royal Society of Arts ofereceu um prêmio para quem conseguisse realizar essa façanha. Esse desafio foi vencido pelo tecelão e carpinteiro inglês James Hargr(e)aves (1720-1778), em 1764, ao inventar o fiandeira múltipla (“spinning jenny”) que reproduzia mecanicamente os movimentos do fiandeira manual, porém, produzia fios finos e pouco resistentes. Ela foi patenteada somente em 12 de junho de 1770 (en.wikipedia.org/wiki/James_Hargreaves). Uma inovação importante nas fiandeiras foi apresentada pelo fabricante de perucas e inventor inglês Sir Richard Arkwright (1732-1792), em 1769, ao patentear a fiandeira movida a água (“water frame”), que substituía a força humana pela força motriz da água, e produzia fios grossos e também pouco resistentes. Observe-se que, em 1771, Arkwright construiu a primeira fábrica de tecelagem, tornando-se, desse modo, o primeiro industrial da Inglaterra.

                   As dificuldades apresentadas pelas fiandeiras de Hargreaves e Arkwright foram contornadas pelo inventor inglês Samuel Crompton (1753-1827), em 1779, ao inventar, a partir dessas duas, a máquina (“teimosa”) de fiar (“spinning mule”) que fabricava fios por torcimento tornando-os finos e resistentes, e era movida a água. Muito embora o clérigo e inventor inglês Edward Edmund Cartwright (1743-1823) haja obtido patentes (1785, 1786, 1792) de seu tear mecânico (“power loom”), estas máquinas apresentaram muitas dificuldades como, por exemplo, os fios torcidos continuavam aumentando mesmo quando o tear estava parado. Esse problema foi contornado pelo inventor inglês William Radcliffe [1761(?)-1842], em 1804, ao construir um tear (com catraca) que movia o tecido para frente automaticamente (en.wikipedia.org/wiki/Edmund_Cartwright; William Radcliffe). É interessante destacar que, assim como aconteceu com a destruição da lançadeira volante de Kay, o mesmo ocorreu, em março de 1792, com os teares mecânicos quando um grupo de fiandeiros invadiu a Fábrica Grimshaw, em Manchester, Inglaterra, e destruiu todas essas máquinas ali instaladas [Tom Philbin, As 100 Maiores Invenções da História (DIFEL, 2006)].