SEARA DA CIÊNCIA
CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Bassalo


Os Escritores de Ficção e a Ciência. .
Os escritores ficcionistas, algumas vezes, conseguem antecipar algum resultado científico. Por exemplo, o escritor e poeta irlandês Jonathan Swift (1667-1745) e o escritor francês François-Marie Arquet Voltaire (1694-1778), em seus romances de ficção, As Viagens de Gulliver, de 1726, e Micrômegas, de 1752, respectivamente, previram a existência de duas "luas" girando em torno de Marte. Essas luas, Deimos ("Terror") e Fobos ("Medo") só foram descobertas muito mais tarde, em agosto de 1877, pelo astrônomo norte-americano Asaph Hall (1829-1907) que, inclusive, calculou suas órbitas. A Deimos, no dia 16, apresenta um diâmetro de 15 km e a Fobos, descoberta no dia 18, tem um diâmetro de 28 km. Esses nomes representam, na Mitologia Grega, os filhos de Marte, o Deus da Guerra. Em homenagem a Hall, uma grande cratera no pólo sul de Fobos recebeu o seu nome. Os dois maiores acidentes de Deimos foram denominados de Jonathan Swift e Voltaire. Segundo nos conta o astrônomo norte-americano Carl Edward Sagan (1934-1996), em seu livro O Romance da Ciência (Livraria Francisco Alves Editora S. A., 1982), pelo estímulo que a esposa de Hall lhe deu no sentido de que ele não abandonasse a busca de tais satélites marcianos, a maior cratera de Fobos recebeu o nome de solteira da esposa de Hall: Angelina Stickney (1830-1892). Ainda nesse mesmo livro, Sagan diz que tentou dar a uma terceira cratera de Deimos o nome de René-François-Ghislain Magritte (1898-1967), pintor surrealista belga cujos quadros Le Chateau des Pyrénées, de 1959, e Le Sens de Réalité mostram imensas rochas suspensas no céu, numa impressionante similitude com as duas luas marcianas - exceto pela presença de um castelo no primeiro quadro, o que, até quanto eu saiba, inexiste em Fobos. A sugestão, contudo, foi rejeitada por considerarem-na frívola.