CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Filardo Bassalo
www.bassalo.com.br

“Efeito” Pauli.

 

Em alguns verbetes desta série, tratamos das contribuições dadas pelo físico austríaco-norte-americano Wolfgang (Ernst) Pauli (Junior) (1900-1958; PNF, 1945) ao desenvolvimento da Física, assim como algumas de suas idiossincrasias. É oportuno registrar que ele era afilhado do físico e filósofo, o austríaco Ernst Mach (1838-1916) e, portanto, seus pais Wolfgang Joseph Pauli e Berta Camilla Schütz, o batizaram como Wolfgang Ernst para homenagear seu famoso padrinho. Neste verbete, destacaremos uma coisa inusitada que acontecia com Pauli com relação ao funcionamento de aparelhos, batizada pelos seus amigos de “Efeito” Pauli.

                   O “Efeito” Pauli tomou esse nome devido à falha em equipamentos de determinados experimentos quando havia a presença direta ou indireta dele. Vejamos como isso aconteceu. Pauli casou-se duas vezes: uma, em maio de 1929, com Käthe Margarethe Deppner, cantora de cabaré. E, pela segunda vez, em 04 de abril de 1934, com Franciska Bertram. Pois bem, durante a “lua de mel” desse segundo casamento, houve uma falha no motor do carro que Pauli estava guiando, falha essa sem nenhuma explicação plausível. De outra feita, conforme conta o físico russo-norte-americano George Antonovich Gamow (1904-1968) em seu livro de nome Biografia da Física (Zahar Editores, 1963), quando o físico alemão James Franck (1882-1964; PNF, 1925), do Instituto de Física da Universidade de Göttingen, se preparava para realizar uma importante experiência, de repente, sem causa aparente, o equipamento inesperadamente estourou desfazendo-se em vários pedaços, muito embora Pauli não estivesse presente. Contudo, uma investigação posterior mostrou que, naquele instante, o trem que transportava Pauli de Zurique para Copenhague, parou por cinco minutos na estação ferroviária de Göttingen. Mais uma ocorrência do “Efeito” Pauli aconteceu quando o cíclotron da Universidade de Princeton incendiou-se, em fevereiro de 1950, justamente quando Pauli estava visitando essa Universidade. Aliás, ainda é interessante registrar que, por causa do “Efeito” Pauli, seu amigo, o físico alemão Otto Stern (1888-1969; PNF, 1943), expulsava Pauli toda a vez que este se aproximava de qualquer experiência que estava realizando em seu Laboratório, na Universidade de Hamburgo. (wikipedia/Pauli_Effect).

                   Concluindo este verbete, vejamos como Pauli explicava esse curioso “efeito”. Pauli manteve uma longa amizade com o psicólogo e psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) desde 1931, quando o descobridor do inconsciente coletivo (Aspecto do inconsciente compartilhado por todas as pessoas através das raças) o tratou de um grave colapso nervoso, resultante do divórcio de sua primeira mulher, do auto-envenenamento de sua mãe, e de seu alcoolismo. Essa amizade foi traduzida numa troca de oitenta (80) cartas, entre 1932 e 1958 [C. A. Meier (Editor), Atom and Archetype: The Pauli/Jung Letters, 1932-1958 (Princeton University Press, 2001)], nas quais discutiram a relação entre Física [decorrente da palavra grega, physis (natureza)] e Psicologia [decorrente da palavra grega, psyche (psique)]. Pois bem, como Pauli chegou a escrever trabalhos usando alguns conceitos criados por Jung (p.e.: arquétipo - Uma “imagem primordial” residindo na imaginação coletiva de um povo), ele acreditava que o “Efeito” Pauli era real, como se fosse um fenômeno “macro-psicocinético”. Aliás, em vista disso, ele chegou a escrever um texto sobre as bases da Física (Background-Physics), no qual mostrou que a Física e a Psicologia eram complementares. Esse texto foi lido (mais não publicado), em 1948, por ocasião da criação do C. G. Jung Institute, em Zurique, na Suíça.