CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Filardo Bassalo
www.bassalo.com.br

Pauli e o Brasil.

 

Segundo vimos em verbetes desta série, o físico austro-norte-americano Wolfgang Pauli Junior (1900-1958; PNF, 1945) foi um dos dois orientadores [o outro foi o físico suíço Joseph Maria Jauch (1914-1974)] da Tese de Doutorado (defendida em 1946) do físico brasileiro José Leite Lopes (1918-2006) quando estava no Instituto de Física Avançada (IFA), em Princeton, New Jersey, nos Estados Unidos. Logo depois que Leite Lopes defendeu sua Tese de Doutorado intitulada High Energy Neutron-Proton Scattering and the Mesons Theory of Nuclear Forces with Strong Coupling (“Espalhamento em Alta Energia de Nêutron-Próton e a Teoria dos Mésons da Força Nuclear com Acoplamento Forte”), ele voltou ao Brasil e junto com outros físicos brasileiros [dentre eles: César Mansueto Giulio Lattes (1924-2005), Elisa Frota Pessoa (n.1921), Mário Schenberg (1914-1990), Roberto Aureliano Salmeron (n.1922) e Jayme Tiomno (1920-2011)] criaram o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no Rio de Janeiro, em 1949, onde formaram uma Escola de Físicos, que influenciou a formação de muitos físicos brasileiros de todo o Brasil como, por exemplo, o autor deste verbete.  

             Outra contribuição de Pauli para o Brasil decorreu de seu estilo sarcástico e irônico. Quando eu estudava no então Departamento de Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP), entre 1968 e 1969, tive oportunidade de ouvir várias histórias também sarcásticas do Prof. Schenberg. Uma delas, por exemplo, foi uma participação desse professor em uma Banca de Livre Docência na Escola Politécnica da USP. Folheando a Tese de um candidato, disse-lhe: - Sua Tese está cheia de coisas boas e novas. Parou, por instantes, e completou: - Só que as novas não são boas e as boas não são novas. Eu acreditava que essa era uma frase de autoria de Schenberg. Contudo, em 1990, quando conheci meu grande amigo o físico e epistemólogo brasileiro Jenner Barretto de Bastos Filho (n.1949), do Departamento de Física da Universidade Federal de Alagoas, que havia realizado o seu Doutoramento na Eidgenössische Technische Hochschule de Zürich (ETH, “Escola Politécnica Federal de Zurique”), Suíça, em 1982, soube então que aquela frase era a predileta de Pauli, conforme ele ouvia sempre dos físicos da ETH. Contudo, recentemente (agosto de 2013), o Jenner conversou (por e-mail) com o físico austríaco Walter Baltensperger (n.1927), seu orientador de Doutorado, que lhe disse achar que aquela frase não seja de Pauli. Então, ela será do próprio Schenberg? Nunca saberemos, pois ambos já morreram.