CURIOSIDADES DA FÍSICA
José Maria Filardo Bassalo
www.bassalo.com.br

Feynman, Dyson e os Diagramas da QED. 

 

Como é bem sabido, o estudo da Eletrodinâmica Quântica (Quantum Electrodynamics - QED) é realizado por intermédio dos famosos diagramas de Feynman (integrais de caminho path integrals), que foram esquematizados pelo físico norte-americano Richard Phillips Feynman (1918-1988; PNF, 1965) em seus artigos de 1948 (Physical Review 74, p. 939; 1430) e de 1949 (Physical Review 76, p. 749; 769) e formalizados em seu livro intitulado Quantum Electrodynamics (W. A. Benjamin, 1962). É oportuno destacar que Feynman, quando estava no California Institute of Technology (CALTECH), tinha um furgão no qual pintou seus diagramas (ver abaixo por cortesia do Google Imagens):

Sobre esses diagramas, existe um fato curioso que merece ser destacado. Segundo o físico e historiador da ciência indiano-norte-americano Jagdish Mehra (1931-2008), no livro: The Beat of a Different Drum: The Life and Science of Richard Feynman (Clarendon Press, 2000), esse tipo de gráfico foi primeiro usado pelo físico inglês Freeman John Dyson (n.1923), em 1949 (Physical Review 75, p. 486; 736) ao demonstrar que as então “regras de Feynman” (hoje, diagramas de Feynman) eram consequência direta da formulação invariante relativística da Teoria Quântica de Campos, desenvolvida pelos físicos, o japonês Sin-Itiro Tomonaga (1906-1979; PNF, 1965), em 1943 (Rikon-Iho 22, p. 545) e o norte-americano Julian Seymour Schwinger (1918-1994; PNF, 1965), em 1948 (Physical Review 74, p. 1439).

                   Como, em 1949, os artigos de Dyson (PR 75: 486; 736) foi publicado antes dos de Feynman (PR 76: 749; 769), ele começou a ser denominado de diagramas de Dyson (“Dyson´s graphs” ou “Dyson´s method”), depois de diagramas de Dyson-Feynman e, por fim de diagramas de Feynman. Muitos anos depois, em 1988, em entrevista com Mehra (op. cit.), Feynman disse-lhe: - Certamente ele teve a minha permissão para publicar seu trabalho. Somos bons amigos. Não há nenhum problema. Essa informação já havia sido dada por Dyson, em entrevista com Mehra (op. cit.), em 1987, ao dizer-lhe: - Ele foi absolutamente generoso. Ele não teve nenhuma dificuldade em deixar-me livre para publicá-lo. Ele apenas disse:- “Bem, isto é ótimo! Finalmente eu sou respeitável”.