SEARA DA CIÊNCIA
IMORTAIS DA CIÊNCIA

WERNER HEISENBERG

Poucos físicos no século 20 tiveram uma carreira tão importante e controversa como Werner Heisenberg, um dos criadores da moderna mecânica quântica.

Heisenberg nasceu em Wurzburg, na Alemanha, em 5 de dezembro de 1901 e morreu em 1 de fevereiro de 1976.

Começou seus estudos de física sob a orientação de Arnold Sommerfeld que logo notou o enorme talento do aluno. Logo que surgiu uma oportunidade, Sommerfeld apresentou Heisenberg a Niels Bohr, na época já famoso. Depois de doutorado, Heisenberg foi trabalhar com Bohr em Copenhagen e formou com o mestre uma relação muito forte, apesar da diferença de idades. Foi em Copenhagen, em 1927, que Heisenberg apresentou seu "Princípio da Incerteza", que logo se tornou um dos pilares da nascente mecânica quântica. De volta a Alemanha, foi trabalhar na Universidade de Leipzig.

Em Leipzig, Heisenberg formou uma série de físicos que depois de tornaram pesquisadores de grande importância, como Rudolf Peierls, Isidor Isaac Rabi, John C. Slater, Edward Teller e Victor Weisskopf.

Mas, então veio o nazismo e a guerra. Em vez de deixar a Alemanha, como muitos outros, mesmo não judeus que se opunham a Hitler, Heisenberg preferiu ficar. Sua família era influente e tinha laços de amizade com líderes nazistas, como Heinrich Himmler, chefe das SS. O fanatismo nazista se alastrava pela ciência alemã, com o anti-semitismo raivoso de Philipp Lenard e Johannes Stark, ambos detentores de prêmios Nobel. Heisenberg era apenas tolerado e chamado de judeu branco. Ele teve oportunidade de cair fora pois visitou os Estados Unidos em 1936 e foi convidado para ficar por lá. Mas, mesmo assim, preferiu voltar e colaborar com o regime, sendo encarregado de tocar as pesquisas para fabricar a bomba atômica.

Em 1941, Heisenberg fez uma visita a Bohr, quando a Dinamarca já fora invadida e ocupada pelos nazistas. Até hoje não se sabe bem o que se passou entre os dois ex-amigos e colaboradores, mas o certo é que Bohr não gostou nada dessa visita e rompeu a amizade. Esse estranho encontro é o tema da peça Copenhagen, de Michael Frayn.

Heisenberg e seus colegas não conseguiram fazer a bomba, em parte por incompetência, em parte por falta de entusiasmo e, principalmente, porque Hitler perdeu o interesse, preferindo financiar as bombas V1 e V2 fabricadas e lançadas de Peenemünde.

Depois da guerra, em uma correria de americanos, ingleses e russos para capturarem os melhores cientistas alemães e se aproveitarem de seus talentos, Heisenberg foi preso e levado para a Inglaterra onde foi colocado em Farm Hall junto com outros cientistas. Lá, sem que que eles soubessem, tudo que conversavam era gravado pelos ingleses. Quando a bomba foi lançada em Hiroshima, a reação dos alemães presos foi de surpresa e decepção. Heisenberg, depois disso, veio com uma conversa de que tinha sabotado o esforço alemão de fazer a bomba. Pouca gente acreditou nessa história.

Depois de libertado, Heisenberg voltou a trabalhar e ensinar na Alemanha, ainda produzindo boa física, embora não tão relevante quanto a que apresentou quando mais jovem. Ele morreu de câncer em 1 de fevereiro de 1976.