2 de dezembro, dia nacional da Astronomia e dia do Astrônomo

2 de dezembro de 2019

Texto publicado na coluna Visões do Cosmo (Jornal O Povo) em 02/12/2019

Caros amig@s leitor@s da coluna Visões do Cosmos, hoje, 2 de dezembro, comemoramos o Dia Nacional da Astronomia e o Dia do Astrônomo, que tem como Patrono, um dos mais ilustres homens de Ciências do Brasil.

Para homenagear o Imperador Astrônomo, dividimos nosso texto com Nelson Alberto Soares Travnik, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba – Elias Salum e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França, uma lenda viva da astronomia amadora brasileira.

D. Pedro II

“A grata efeméride celebra a data de nascimento de D. Pedro II (1825-1891), o governante que mais fez pela astronomia no País. A escolha teve inicio em Recife (PE), durante o 2º Encontro de Astronomia do Nordeste celebrado de 30 de junho a 2 de julho de 1978 quando, astrônomos por unanimidade, aplaudiram de pé a moção apresentada pelo Dr. Marijeso Alencar Benevides, Diretor de Relações Públicas da Sociedade Brasileira dos Amigos da Astronomia, concedendo a D. Pedro II, o título de Patrono da Astronomia Brasileira.

A astronomia fascinava o Imperador que nela encontrou a noção do todo, do universo, não havendo limites para sua imaginação. Conhecia a fundo a ciência do céu. No telhado do Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista inaugurado por D. João VI em 6/6/1818, mais tarde Museu Nacional, quase destruído por um incêndio em 2/09/2018, tinha um observatório onde atendia alunos para ensinar a observar o céu.

No Imperial Observatório criado por seu pai, D. Pedro II tinha um quarto para descansar após horas de observação. Mantinha contato com grandes luminares da astronomia entre eles o francês Camille Flammarion (1842-1925) que o convidou para inaugurarem juntos o seu Observatório de Juvisy em 29/7/1887, algo que ele aceitou e compareceu.

Esta planta é a do terceiro pavimento do prédio do Museu Nacional. Note a área destinada aos aposentos do Imperador e a área do Observatório Astronômico (Fonte: Museu Nacional; UFRJ; clique na imagem).

Para o Imperial Observatório, contratou astrônomos de renome como o francês Emmanuel Liais (1826-1910) e o belga Ferdinand Cruls (1848-1902) além de importar modernos instrumentos e doar alguns seus. Isso possibilitou ao Imperador realizar inúmeras observações importantes dentre as quais se destacam a primeira análise espectroscópica de um cometa usando equipamentos fotográficos; observação de dois eclipses solares de 1858 e 1865 quando foi utilizada pela primeira vez em todo mundo a fotografia para fins astrométricos; a rara passagem de Vênus pelo disco solar em 6/12/1882 e a observação e estudo do cometa Finlay em 18/1/1887 quando estimou sua cauda em 50 graus como foi registrado na revista L’ Astronomie publicada pela Sociedade Astronômica da França no tomo de 1887.

Na passagem de Vênus pelo disco solar em 6/12/1882, mesmo sob forte oposição do Parlamento, concedeu as verbas necessárias para três missões científicas observarem a passagem: uma de Punta Arenas na Patagônia chilena, outra na ilha de Saint Thomas nas Antilhas e a terceira em Olinda (PE).

Em suas frequentes visitas ao exterior, fazia questão de visitar alguns observatórios se inteirando com as pesquisas e progressos recentes.

Era membro sob numero 85 da Sociedade Astronômica da França fundada por Flammarion em 1887 , sócio da Academia de Ciências da França, membro da Royal Society de Londres, da Academia Imperial das Ciências de São Petersburgo, da academia de Moscou e membro do Instituto Histórico do Rio de Janeiro. D. Pedro II não foi um astrônomo profissional mas um astrônomo amador dos mais conceituados. Para o Imperial Observatório faltava um telescópio de grande porte e ele foi encomendado na Inglaterra pelo Imperador.

Fachada do Museu Nacional, antes de 1910. O Observatório Astronômico de D. Pedro II está destacado em vermelho (Fonte: Museu Nacional, UFRJ; clique na imagem para visualizar a fonte)

Desgraçadamente, o navio que o transportava chegou ao Rio de Janeiro justamente na ocasião da Proclamação da República e os republicanos não perderam tempo: mandaram o telescópio de volta!

Em 1890, já no exílio foi homenageado com o nome do Asteroide Brasília de nº 291 descoberto no Observatório de Nice, França, pelo astrônomo A. Charlois (1864-1910). Em 1891, escreveu em seu diário: ‘Pensava na instalação de um observatório astronômico moldado nos mais modernos estabelecimentos desse gênero que poderia ser superior ao de Nice’. Sua devoção a ciência do céu certamente levou seu espírito para muito além do asteroide Brasília, para junto das estrelas.”

Prof. Dermeval Carneiro